Startup Náufrago

naufrago1Você já viu o filme O Náufrago, com Tom Hanks? Se não viu, veja. Acredito que só o Tom Hanks seja capaz de fazer de um “monólogo” de duas horas em uma ilha deserta um filme lindo e emocionante. Vejo uma semelhança incrível entre o roteiro do filme – um renomado especialista em logística da Fedex preso em uma ilha deserta praticamente sem nenhum recurso – e o dia-a-dia de uma startup de tecnologia.

Você é capaz de comandar equipes com centenas de pessoas espalhadas em vinte países em 5 fuso-horários diferentes. Você sabe fazer um pacote sair do kenya às 3 da tarde e chegar em nova york antes do horário comercial, passando por um processo meticulosamente cronometrado com no mínimo 50 pessoas e 10 tipos diferentes de transporte. Mas você está agora preso sozinho em uma ilha deserta.

Uma startup geralmente é bem parecida com o náufrago: pessoas capacitadas, recursos limitados e um prazo definido para chegar a um lugar seguro e confortável ou morrer.

O primeiro passo é achar um jeito de comer e beber, sobreviver a cada dia, estancar as hemorragias, entrar no azul.

sr-wilson-thumbNeste processo, você corre o risco de encontrar um Wilson (no filme, uma bola de voley que se torna o melhor amigo do náufrago e com quem ele tem longos diálogos). O risco é olhar para situações e objetos completamente desprovidos de significado e valor e os transformar em coisas que dão sentido, direção e significado ao seu dia-a-dia.

Depois de aprender a sobreviver, é preciso ter uma estratégia para sair da ilha. Basicamente, é hora de aprender a fazer uma corda. Sem cordas não é possível fazer um abrigo, nem caçar decentemente, nem fazer uma jangada para se aventurar a procurar o refúgio seguro. A corda é a liberdade.

Mas as cordas também te lembram o tempo todo que você pode se enforcar e acabar com todo o sofrimento. Enforcar-se com as cordas da liberdade.

Numa startup as regras corporativas ainda não apareceram, há flexibilidade para inovar. Mas há também flexibilidade para deixar de fazer a lição de casa, para acordar às 10 da manhã, para ser medíocre. Há também flexibilidade para trabalhar 18 horas por dia com um nível de energia e produtividade que faz parecer no final que você só trabalhou 4 horas.

geloDepois de aprender a sobreviver na ilha, todos os dias numa startup todos precisam estar usando as cordas que aprenderam a fazer para sair de lá ou logo estarão fazendo testes com bonecos de madeira para ver se a corda segura o peso do seu corpo, pelo pescoço.

Trabalhar em uma startup é um grande desafio. Viver neste ambiente com saúde o bastante para levar a startup ao nível de uma empresa consolidada sem perder a cabeça e sem amigos imaginários é um desafio maior ainda. Mas só sabe o valor de um copo com gelo quem já lutou por um fiozinho de água doce. Neste processo, a abundância de flexibilidade, liberdade, e às vezes (raras) recursos financeiros, pode ser fatal.

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» Publicado por gilbertojr , em 25/05/09 às 12:45 .
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2 Comentários sobre “Startup Náufrago”

  1. .faso says:

    Gilberto,

    Tudo bom? Esse post descreveu bem os pontos fortes e fracos na hora de se criar uma startup. Eu passei um bom tempo falando com os meus Wilsons, enquanto tramava a corda que poderia me levar embora ou me enforcar.

    Por mais que tenhamos flexibilidade e jogo de cintura, precisamos ter um pouco do maneirismo engessado das “grandes corporações” para poder prosperar e viver da nossa cria.

    É bom acordar tarde. É bom trabalhar quando dá vontade, mas é preciso se auto-regrar e se auto-policiar para poder ir em frente.

    Um super abraço,

    .faso

  2. Marco Gomes says:

    Comparar startup com algo ligado a naufrágio é perigoso, pode fazer as pessoas confundirem as coisas, mas você esclareceu muito bem seus pontos. Bom texto.

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