Linguagem como massa de modelar/ comofas/
Na Intercon deste ano o Marco Gomes levantou uma questão interessante sobre a relação entre a internet e a educação. Citando um caso estudado por Sugata Mitra ele levanta a questão: as crianças podem aprender sozinhas?
Luli Radfarer, agora a pouco em uma entrevista no canal GNT, disse que em sua época para as crianças tinham que aprender a falar e escrever corretamente, que o aprendizado era de cima para baixo. Agora, segundo ele, as crianças estão tomando a linguagem como massa de modelar, e brincando com ela, quando por exemplo usam emoticons e escrevem “KBÇA”…
O Marco citou o Tiopês como uma referência de como a linguagem ou a maneira como se escreve na internet pode estar se deteriorando um pouco.
Há uma diferença radical entre a criança de 8 anos que usa o MSN e está aprendendo a escrever por vontade de falar com os amigos (já que não pode estar com eles fora de casa exceto enquanto está na escola), e o tiopes que seria a maneira como pessoas mais velhas sem uma cultura escrita muito elaborada encontra para também se relacionar pela internet.
E há também, é claro, aqueles que já estavam acostumados a escrever e sentem-se absolutamente confortáveis na linguagem escrita na internet.
No fundo o caso com o Miguxês e o Tipês é o mesmo: modificações livres da norma culta, da linguagem escrita, para servir ao propósito de relacionar-se na internet. A diferença radical é que o Tiopês acontece por falta de “educação”, enquanto as crianças que dominam o miguxes são bilingues: aprendem também facilmente a norma culta do português, mesmo que ela faça cada vez menos sentido.
No final das contas, a linguagem é mesmo como um organismo vivo, que é transformado pela sociedade e de geração em geração. Estamos vendo uma transformação rápida agora, motivada pelas redes sociais.
Resta-nos observar como esta geração que usa messenger e scraps no orkut como um dos principais meios de se relacionar, que está aprendendo através da colaboração no lugar dos discursos, e das relações emergentes no lugar das hierarquizadas, vai transformar a sociedade quando forem os protagonistas do jogo político e social.
No blog da amanaiê, PorDentro, eu estou pensando um pouco este assunto a pelo ponto de vista das Redes Sociais: Como as Redes Sociais vão impactar a linguagem e a sociedade?


[...] os “tios” do outro estão transformando a linguagem para se relacionarem na internet: Linguagem como massa de modelar / comofas. Gostaria de complementar aqui um pouco o que estou pensando lá, levantando a questão dos widgets [...]
Esse é um questionamento complicado. A língua é como um organismo vivo sim, e que, com a internet, ganhou uma velocidade em sua modificação que muitas vezes não corresponde com o termo ‘evoluir’.