Newscamp, uma (des)conferência

O newscamp foi muito interessante. Participei só pela manhã, mas aprendi bastante e pude compartilhar idéias muito legais e conhecer gente nova e bacana. Mas não quero falar sobre seu conteúdo, até porque eu não poderia falar nada de novo, com tanta gente boa blogando sobre ele por aí, e também porque não sou jornalista. Quero falar sobre a sua forma.

O nome “newscamp” faz uma referência ao barcamp e ao blogcamp (sendo este último, até onde sei, a primeira experiência de barcamp temático). Foi chamado de desconferência, mas foi diferente do que seria realmente uma desconferência.

O que é uma desconferência?

Em uma conferência – como o imasters intercon, que aliás este ano está imperdível – o conteúdo é gerado de cima para baixo. Os temas e palestrantes são decididos pelos organizadores. Os palestrantes falam, a audiência ouve.

Em uma conversa de mesa de bar não acontece uma conferência, nem uma desconferência. Acontece… uma conversa de mesa de bar. O formato aqui é totalmente livre, aberto, quase sem regras (quase, porque “toda vez que mais de meia duzia de pessoas se reunem a liberdade individual cede aos interesses coletivos”, e até a gafieira tem seu estatuto). Conversa-se sobre o que quiser, pelo tempo que quiser, com quem quiser, muda-se de assunto ou não conforme a sugestão de qualquer um…

Uma desconferência é diferente de uma conferência mas também é diferente de uma conversa de bar. Como diz o site do barcamp brasil, em uma desconferência

“…cada participante é encorajado a fazer uma apresentação, demonstrar o projeto em que está trabalhando, ou fazer parte ativamente das discussões que ocorrem nos cantos do evento. Não há lista de palestrantes, nem programação fechada; existem idéias e vontade de colaborar. Trata-se de estar envolvido diretamente em uma estrutura de conversação horizontal e emergente.”

O newscamp foi diferente.

Os organizadores do newscamp realizaram uma ação mista: uma grade de programação com “convidados” que foram palestrantes ou facilitadores de discussão, e deixaram a outra sala livre para que as pessoas se organizassem em uma desconferência mesmo.

Em uma desconferência todo o conteúdo seria emergente, como são os sites UGC, como é o Digg, o youtube… Seria proposto por participantes na hora e conversado com todo mundo.

Esta experiência foi interessante para testarmos este modelo hibrido de conferência e desconferência. E depois de problematizar um pouco a coisa, encerro este artigo sem conclusão, como uma open thread para saber a opinião de vocês:

Será que o newscamp poderia ter sido ainda melhor do que foi se fosse uma desconferência clássica, em vez de ter também uma programação pré-agendada?

As regras de um qqrcoisaCamp

Como base para esta discussão, gostaria de dizer aqui quais são as regras para um qqrcoisaCamp. É claro que elas devem ser discutidas, quebradas, avaliadas, etc, conforme decidirmos coletivamente, mas é isso que se segue nos eventos como este que são organizados pelo mundo afora.

São as regras do barcamp, (uma brincadeira com as regras de um outro evento sobre o qual eu não posso falar) adaptadas ao modelo brasileiro, que substitui apresentações por discussões. Este nosso modelo poderia também ser descrito como “a materialização de uma lista de discussão, de uma comunidade online” (Tamanaha).

  • 1a Regra: Você deve falar sobre um BarCamp
  • 2a Regra: Você DEVE blogar sobre o BarCamp
  • 3a Regra: Se você quiser propor um tema de discussão, deve escrever seu tema e seu nome em um dos períodos na lousa/cartaz, depois de perguntar a opinião de algumas pessoas.
  • 4a Regra: Introduções: três palavras
  • 5a Regra: Tantas discussões ao mesmo tempo quanto o local suportar
  • 6a Regra: Sem discussões ou apresentações pré-marcadas
  • 7a Regra: As apresentações durarão tanto quanto precisar, ou até terminar seu período
  • 8a Regra: Se é a primeira vez que você vai a um BarCamp, você deve propor um tema colaborar como puder.

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» Publicado por Gilberto Jr , em 22/07/08 às 2:41 .
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2 Comentários sobre “Newscamp, uma (des)conferência”

  1. Thássius V' says:

    Na Newscamp Rio, eu senti falta de um controle do tempo que cada assunto teria. Dessa forma, ficou parecendo uma contínua conversa, e não exploração de temas pré-definidos durante determinado espaço de tempo. Ainda assim a experiência foi ótima, e a tendência é que aprimoremos a fórmula para que funcione melhor ao jeitinho brasileiro (sem ironias).

  2. [...] pela Ceila Santos. Para mim foi muito difíci participar já que o formato adotado é o de “desconferência” onde todas as pessoas tem o mesmo poder e autoridade para falar. O que na teoria e utopia [...]

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