Espere… Alguém está errado na internet.
Tradução livre e desnecessária:
- Você vem dormir?
- Não posso. Isso é importante.
- O que?
- Alguém está errado na internet.
Quanto tempo você já gastou fazendo essa tarefa importante? Eu admito que, desde os meus velhos tempos de [dG] já gastei bastante tempo com isso. Eu sou naturalmente teimoso, argumentativo, passional, enfim chato – meus professores, pais, ex-chefes, amigos ou qualquer pessoa que tenha tentado me convencer de uma coisa da qual eu já não esteja convencido que o digam. Isso é um problema que eu enfrento a vida toda, com coragem :), e por isso mesmo quero compartilhar um par de coisas que aprendi.
É preciso olhar o outro lado com simpatia.
Embora eu adore uma esgrima intelectual (um esporte que consiste em uma discussão entre duas ou mais pessoas sobre um assunto qualquer que não precisa chegar em lugar nenhum, onde um lado deve provar que o outro está errado, por puro exercício de argumentação – e também do poder de cada um de utilizar bem boas falácias sem que o outro as perceba) eu aprendi a reservar este esporte somente para os amigos mais íntimos (que conto nos dedos de uma só mão).
Em uma discussão normal é preciso olhar o outro e as idéias do outro que são diferentes da sua com simpatia. Quem demoniza o outro lado (como alguns pró-software-livre fazem com a microsoft, mac-fans fazem com o PC, etc) fica automaticamente cego para suas qualidades. Isso é uma grande ignorância.
Aprender a reconhecer as qualidades e os acertos e os avanços das idéias e posturas que você considera erradas é o primeiro passo para não ser dogmático e aprender a tratar questões importantes com a complexidade que elas exigem.
Não existe “o outro lado”, pois há muitos lados.
Quando deixamos de lado nossos dogmas, nossas certezas, aprendemos também a deixar de ver o outro como oponente. Embora geralmente as conversas se configurem assim, porque estamos acostumados com essa maneira de pensar, dificilmente uma questão terá somente dois lados. E dificilmente um lado estará totalmente certo e o outro totalmente errado. Há prós e contras em qualquer lugar e é preciso reconhecer isso para poder estabelecer um diálogo amigável.
No processo dialógico um sempre modifica o outro. Nem sempre é preciso chegar a uma síntese, mas tenha certeza de que o que você diz afeta o outro, muda o seu jeito de pensar. É sempre bom estar aberto para mudar de opinião – mesmo que, como eu, você geralmente só mude de opinião depois de muuuuita conversa – porque, acredite, você pode estar errado.
Abrir-se para ver os inúmeros outros lados de uma questão, além dos nossos dogmas, é uma tarefa difícil porque ninguém gosta de estar errado e é sempre mais fácil ser dogmático e simplista do que pensar com complexidade. Mas para mim, esse parece ser o único caminho para manter diálogos abertos, sinceros e que avançam, sempre aprendendo e ensinando ao mesmo tempo.



Discutir (que é, no primeiro resultado do Aurélio, “debater”) é sempre bom. As pessoas ganham conhecimento com isso. Mas tem horas que é preciso saber parar.
Esse conflito imaginário entre blogueiros e jornalistas, por exemplo. Me cansei dele. Não acompanho mais. Que sejam felizes aqueles que só sabem atacar para fazer polêmica.
@Thássius V: Olá não acho que seja preciso saber parar, eu pensso que o ideal é saber mudar a conversa porque o tema anterior será sempre um bom tema.
Eu gosto muito de revisitar temas antigos em conjunto com amigos e acabamos sempre por nos rir das baboseiras que dizia-mos na altura.
Mas pronto, as pessoas nunca mudarão e cada um puxa a brasa á sua sardinha.
Um Grande Abraço