Software Livre peca no Design de Interação
A comunidade open-source tem ótimos programadores, os melhores, mas parece ter poucos bons designers de interação.
Digo isso porque, ao utilizar todo tipo de softwares open-source percebo claramente como são muito bem programados: travam menos, são mais rápidos, mais personalizáveis, mais leves, têm mais e melhores funcionalidades, etc. Mas geralmente eles têm uma interface mais feia e mais difícil de utilizar. Enquanto é fácil perceber que a engenharia por trás do software livre está na vanguarda, inovando até mais rapidamente que as empresas, é raro ver grandes avanços quando se trata de design de interface.
Tenho até uma suspeita para um dos motivos porque isso acontece: é difícil fazer um design matador como o da apple sem ter um ditador como Steve Jobs no comando. Para fazer design simples é preciso ter muito critério na escolha das funcionalidades que o programa vai ter. Quando não há alguém que diga qual funcionalidade entra e qual sai, e que seja um grande designer de interfaces, as telas acabam ficando sujas, poluídas, cheias de botões, difíceis de mexer.
<defesa contra ataques dos fanáticos>
Perceba que não estou dizendo que por isso o software livre é ruim, apenas estou apontando um vetor de crescimento, para que este seja ainda melhor. Sei também que há exceções, há softwares livres com excelente interface. Sou um militante da cultura livre e digo isso tudo para que o software livre cresça.
</defesa contra ataques dos fanáticos>
Enfim, talvez seja hora das comunidades de software livre se empenharem mais em procurarem bons designers para seus programas. E também há aqui um bom espaço para designers fazerem trabalhos fantásticos e ajudarem toda a comunidade. No dia em que houverem designers de interação trabalhando com open-source, com trabalho tão bom quanto o dos atuais programadores, aí a indústria do software proprietário realmente terá problemas.


Exatamente o que eu estava conversando, comendo sushi, a um fanático Linux sobre parar de culpar a Microsoft por tudo (e realmente a culpa é deles, hehehe) e realmente tornar fácil a interface e a interação do usuário comum, que quer algo como uma geladeira ou TV (plugou, ligou), para o Linux ganhar um espaço gigantesco
‘braços
Celso Bessa
Gilb,
Sempre pensei nisso que você disse, na falta de bons designers de interface no mundo Open Source.
Além de um usuário voraz de sistemas livres e apoiador da causa, sou um designer que resolveu trabalhar apenas com ferramentas livres e vejo diariamente esses “gaps” de interação. Talvez esse fato também corrobore para que muitas pessoas não utilize software livre. Aqui cabe um comentário adicional: alguém já experimentou utilizar aqueles computadores com incentivo do governo? Alguém já percebeu que as distros que os acompanham são praticamente inutilizáveis para usuários comuns (aquelas pessoas que só querem utilizar o computador)? Olha aí mais uma oportunidade perdida…
Não sei ao certo -me corrija se eu estiver errado- mas um dos poucos Softwares Livres que usam (ok, tentam) usar um designer para trabalhar a interação é o Wordpress. Quem já teve a oportunidade de ver os protótipos das novas telas de administração ou o novo modelo que surgirá logo, percebe que ali teve um dedinho desenhador.
Voltando e finalizando, como você mesmo disse, solftware livre + um bom design pode vir a se tornar um sério problema para indústria do software proprietário.
Um grande abraço,
.faso
Olá, Gilberto,
realmente há muito espaço para desenvolvimento de melhorias em interfaces de aplicações de SW Livre, e essa pode ser uma oportunidade interessantíssima de aprendizado para quem quiser se aprofundar na área de Design de Interação.
Em particular, existe uma iniciativa chamada Open Usability cujo intuito é promover a Usabilidade no desenvolvimento de projetos Open Source e tornar os métodos e resultados disponíveis a todos.
Forte abraço!
Acho que falta aos designers (e comunicadores sociais em geral), a noção de comprometimento com um projeto público. Há quem diga que somos o quarto poder ou ao menos a ponta de lança do capitalismo moderno. O fato é que vejo voracidade financeira demais em nosso mercado, e quase raramente escuto sobre histórias recompensadores, em termos de qualidade de vida, gostar do que faz ou tão somente grana.
A sorte é que o software livre vem crescendo por conta própria, tomando cada vez mais fôlego para competir com um Windows, Photoshop, Final Cut ou 3D Studio da vida. (Ubuntu+Gimp+Cinelerra+Blender). Quero dizer, está cada vez mais estampado que a “terceira via” tem grandes vantagens – e outras características. Uma delas é a contribuição de volta para a comunidade. Uma vez que você use um Gimp e ache algo meio bagunçado demais, ou mesmo um bug, a postura é diferente. Não reclame do vizinho, haja! Descreva o bug, faça um mockup de uma nova organização de botões, uma simplificação de ícone ou simplesmente planeje a arquitetura de um sistema talvez embutido no próprio software, talvez contextual, de envio de feedback aos desenvolvedores.
Uma simples tradução ajuda muito a comunidade. O lance é se envolver ao ponto de uma hora ou outra acabar encontrando o que fazer.
Não é a comunidade de software-livre que tem que vir até nós, mas sim nós é que temos que ir até eles! Os projetos de software-livre costumam ter comunidades abertas para colaboração, inclusive no quesito de design. Claro que existe muito desconhecimento a respeito do que é design de interação e como ele pode beneficiar o software, porém, desde que saibamos como mostrar isso, não há impedimentos para solucionarmos esses problemas que você identificou.
Estou no momento trabalhando com a comunidade do BrOffice.org (por iniciativa deles :P) e a interação está sendo muito benéfica para ambos. Estou aprendendo sobre desenvolvimento ágil e distribuído, enquanto eles aprendem um pouco sobre hábitos dos usuários, design e etc.
No Instituto Faber-Ludens estamos formando um projeto parecido com esse OpenUsability, só que focado no Design e não na avaliação das interfaces.