Google, Microsoft e Yahoo entre competição e colaboração
Temos testemunhado esta semana uma série de acontecimentos que marcarão a história da web.
O embate entre os gigantes Google, Yahoo e Microsoft tem chegado ao ponto em que a Microsoft resolveu comprar o Yahoo “à força” para tornar-se líder e enfrentar o poder do Google no mercado de buscas. Caso o Yahoo recuse a oferta da Microsoft, conforme o blogueiro Michael Arrington, haverá uma onda de processos por parte dos shareholders.
Google, do seu lado, morre de medo que a Microsoft consiga comprar o Yahoo e use seu poder (isto é, o Windows) para forçar uma liderança na web que até hoje não conseguiu e oferece um acordo que daria ao Yahoo dinheiro suficiente para manter-se em pé e independente, terceirizando os anúncios em seu buscador.
É aqui que eu paro para pensar sobre um tema importante para entender estes últimos acontecimentos, as contradições entre competição e colaboração.
Competição é boa para os consumidores? Nem sempre.
Há quem creia que a competição leva as empresas a produzirem cada vez produtos melhores e mais baratos, numa guerra na qual os consumidores sempre sairiam ganhando. Na verdade, penso que seja natural, no atual modelo de desenvolvimento, que uma empresa ganhe um mercado gigantesco porque tem o melhor produto, porque é aquela que os consumidores mais gostam.
Mas nem sempre é assim que acontece. A Microsoft, por exemplo, é líder no mercado de browsers mas não é, nem de longe, a mais competente neste mercado. Ela não venceu por ter o melhor navegador, mas por ter o melhor (ou o mais popular, pelo menos) sistema operacional. Empurrando seu navegador junto com seu sistema operacional, a Microsoft ganha a batalha sem ter sido a melhor.
Google, por sua vez, apoiado pela enorme desconfiança que a comunidade geek tem pelo histórico da Microsoft, oferece uma mãozinha para o Yahoo que faria dele absolutamente insuperável no mercado de anúncios em buscadores. A cada dia fica mais longe a idéia que tínhamos antigamente de que a qualquer momento de uma garagem qualquer pode aparecer uma nova tecnologia capaz de matar o Google.
Colaboração entre empresas coloca os usuários em primeiro lugar.
Mas nem só de brigas vivem os gigantes da web. Recentemente temos visto uma onda de colaboração sem precedentes.
Primeiro houve uma união entre diversas redes sociais concorrentes para criar um padrão para o desenvolvimento de widgets, o OpenSocial, liderado pelo Google. Seguido a isso, Google, MS, Y! e outros se juntaram para apoiar o dataportability.org, que utiliza tecnologias já existentes (microformats principalmente) para que os usuários possam
utilizar suas informações no serviço que quiserem e transferí-las de lá pra cá.
Depois, talvez como conseqüência deste passo anterior – decisivo para negociar os padrões – Google anunciou a criação do Social Graph API, que une todos os dados públicos dos usuários de uma maneira que qualquer sistema possa utilizar os mesmos dados, sem que o usuário tenha que recriá-los a cada rede social que entre. Assim, por exemplo, ao se cadastrar pela primeira vez no twitter, os seus amigos que já estão lá serão mostrados a você, com base no que a API diz serem seus amigos a partir de outra rede social.
Concordo com Tim O’Reilly: parece ser só mais uma API do Google, mas é um grande passo para a criação de uma internet que funcione realmente como plataforma. Quando os dados dos usuários não estão mais presos a cada serviço, mas podem ser trasferidos entre qualquer serviço livremente, então o usuário terá real liberdade para escolher o que quer utilizar e será verdadeiramente dono do conteúdo que ele mesmo produz online.
Como se não bastassem estes exemplos para demonstrar como a colaboração é boa para os usuários, a fundação OpenID anunciou que Google, IBM, Microsoft, VeriSign e Yahoo! estão unindo forças para promover, apoiar financeiramente e dar segurança legal (em termos de propriedade intelectual) ao OpenID, que é e continuará sendo um projeto aberto e controlado por sua comunidade de desenvolvedores.
As contradições entre competição e colaboração.
Se por um lado a competição força todos a se tornarem cada vez melhores, se não for bem controlada gera também seus monstros. A colaboração, por sua vez, parece ser um vetor de crescimento e desenvolvimento que vai realmente no sentido do melhor para o consumidor e para a sociedade, mas que pode levar a um crescimento lerdo caso não haja a motivação adequada para a busca de mais e melhor produtividade.
De qualquer maneira, nossa intenção aqui não é provar uma nova lei econômica, nem postular uma verdade absoluta, apenas pensar sobre a internet, naturalmente colaborativa, o mercado, naturalmente competitivo e as necessidades contraditórias da sociedade. Será que continuaremos sempre aprendendo com nossos erros e evoluindo nossa maneira de construir o mundo ao nosso redor?


Concordo com seus pontos Gilberto, o legal do seu artigo é que todas as movimentações fazem parte de um mesmo movimento.
Esse ano começou bem.
Como você ve o reflexo desses movimentos no mercado nacional.
Abraços!
Tiê Lima
oi tiê… sua pergunta dá outra postagem :)
Mas o movimento de abertura do grafo social deve levar ao nascimento de todo um mercado de widgets para orkut e redes sociais paralelas ao orkut que não teria como existir antes. Acho que, especificamente para o Brasil, não tem muito mais impactos do que esse – que já é gigantesco, dado que o orkut é o site mais visitado do Brasil.
Não sei o quanto isso será bom para nós produtores de internet, mas acho muito legal o interesse da MS pelo Yahoo. Esse tipo de barulho causam mudanças significativas para o mercado, sendo para melhor ou para pior.