Monetização de blogs
Gosto de pensar que Blogs são conversas. Vou dar uma de enxerido e me meter numa interessante conversa começada pelo Fábio Seixas e continuada pelo Carlos Cardoso sobre monetização de blogs.
Viver de blog é pra qualquer um?
A receita de bolo tradicional é: crie um blog com conteúdo interessante que as pessoas queiram ler, coloque algum tipo de publicidade comissionada (adSense, [...], etc), publique conteúdo sempre e espere os cliques nos anúncios. Esse modelo tem alguns pontos fracos e só funcionam “de verdade” para poucos.
Não concordo que “poucos” sejam beneficiados pelo modelo. TODOS, literalmente TODOS os blogs com boa audiência que são monetizados se beneficiam desse modelo. [...] Desse ponto de vista o AdSense é a ferramenta mais democrática que conheço.
Eu penso que, para ter uma renda suficiente para viver só de um blog, o blogueiro tem que ter conhecimento em diversas áreas (ótima redação, criatividade, SEO, HTML, monetização, cultura, estofo de leitura, etc…) coisa que não se adquire de uma hora pra outra. Concordo com Fábio que o modelo é para poucos, e concordo com Cardoso que o modelo é para todos que estão dispostos a fazer “tudo direitinho” e trabalhar o suficiente para ter algum retorno.
Não há segredo para viver de blog, mas também não é nada fácil. Não é tarefa para qualquer um.
A renda depende do paraquedista.
Segundo Cardoso,
O leitor habitual NÃO clica nos anúncios, isso já está contabilizado na equação. O grosso da renda vem dos paraquedistas.
Fábio disse que
O leitor fiel tende a consumir só o conteúdo, já o cara que chega pelo Google tende a clicar mais nos anúncios já que está procurando por algo. Ou seja, o modelo de publicidade online, tem um grande desafio, tornar os anúncios relevante para o leitor fiel, este que mantém a base da audiência.
O fato de que a renda de um blog é diretamente dependente dos leitores não habituais, os “paraquedistas” que vêm dos buscadores procurando uma informação específica, é um problema. O conteúdo dirigido aos leitores habituais é diferente do que os paraquedistas procuram.
Há também uma dúvida séria se os paraquedistas clicam nos links patrocinados porque se interessaram pelo anúncio ou porque estão perdidos e pensam que aquele link vai dar em outro artigo dentro do mesmo site – neste caso, ao dar no site do anúncio o paraquedista provavelmente sai da página sem dar ao anunciante o retorno que ele esperava.
No entanto, há os bons leitores, que acompanham sempre o blog, que assinam RSS, que fazem comentários edificantes… Mas estes leitores não clicam em banner nenhum. A pergunta aqui é:
Como gerar publicidade relevante para os leitores habituais?
Eu penso que, certamente a resposta não é o google adsense.
O Fábio sugeriu que o blogueiro procure os anunciantes diretamente, oferecendo seu espaço. O Cardoso retrucou falando sobre as dificuldades da burocracia deste modelo, como “nota fiscal ou RPA, contabilidade, contato com anunciantes, negociação, assinatura de contratos”…
Eu penso que um modelo a ser considerado, e amadurecido, é o de postagens pagas. Neste caso, o blogueiro deveria deixar claro que a postagem é paga e somente aceitar fazer postagens sobre produtos que sejam interessantes para seu público alvo. Este tipo de postagem, sem dúvida, não passa desapercebido dos leitores habituais e pode ser bastante interessante.
Mas como atrair este tipo de anunciantes? Como cuidar da parte burocrática sem muito trabalho e sem perder a maior parte do dinheiro do anúncio com o agenciamento? Não sei. Mas aí está uma boa oportunidade de mercado.
Como se livrar da burocracia do anúncio direto?
Eu discordo do Cardoso quando ele diz que “a criação de uma empresa/grupo para cuidar disso seria reinventar a roda”. A alienação entre o anunciante e o veículo que acontece no Adsense, onde o anunciante geralmente não sabe que seu anúncio foi veiculado em blog x ou y, traz uma série de problemas, o principal deles é que o anunciante não sabe a qual tipo de conteúdo sua marca está sendo relacionada.
Outra idéia seria instalar um sistema no próprio blog, utilizando uma plataforma pronta de pagamento como o Paypal ou similares, através do qual o anunciante pudesse colocar seu banner e pagar pelo espaço. Isso não seria muito difícil nem caro para um blogueiro que queira sair do Adsense e deixaria pra lá muito do trabalho burocrático.
Conclusão.
Ainda há neste debate muito espaço para o amadurecimento de idéias e do próprio blog como mídia. Os blogueiros profissionais são um fenômeno muito recente. Nos próximos anos nós certamente veremos uma consolidação da profissão que gerará mais credibilidade à mídia e uma série de recursos que hoje ainda não estão disponíveis.

