Por que a web não afetou o mercado editorial?

Acabei de ler um interessante artigo, de John Crace (do The Guardian), que explica porque a web, que abalou tão gravemente a indústria da música, ainda não afetou o mercado dos livros.

A web ajuda bandas boas a fazerem sucesso.

Crace explica que hoje qualquer banda razoavelmente boa (só isso já reduz muito a quantidade) consegue ser conhecida no mundo todo com uma página no Myspace, disponibilizando suas músicas para serem baixadas gratuitamente. A internet democratizou o acesso à música, tirando poder (um pouco, pelo menos) das grandes gravadoras.

Mas com os livros não é assim.

Já no caso dos livros a coisa tem sido muito diferente. Embora haja boas exceções, como João Paulo Cuencas que era blogueiro e foi convidado para publicar um romance e as Motherns que viraram até seriado de TV, continua sendo muito, muito difícil para um escritor estreante ser publicado.

Segundo John Crace, “Se você quer saber a quem culpar, não precisa olhar para muito além do mercado literário. Editores e vendedores querem somente investir no que é garantido.”

Lulu.com é boa novidade, mas não pegou ainda.

Há boas novidades, como o site lulu.com, onde qualquer pessoa pode “publicar” seu livro com impressão sob demanda. Mas o custo da impressão sob demanda continua sendo alto em relação à impressão de grandes quantidades. Além disso, há toda uma cultura tátil do livro, de pegar na mão, cheirar, ler a orelha e só depois deste namoro vem a compra – nada disso existe na internet.

E o futuro do mercado editorial?

O que acontecerá quando os livros deixarem de ser distribuídos em papel (pela tela flexivel)? O que acontecerá quando o mercado editorial for tão digital quanto é hoje o de música?

Será que provaremos uma verdadeira revolução cultural? Será que, como diz John, esse meio, que costumava ser um trampolim para o radicalismo, pode morrer pelo conservadorismo?

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» Publicado por Gilberto Jr , em 29/05/07 às 12:11 .
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4 Comentários sobre “Por que a web não afetou o mercado editorial?”

  1. Bem apontado, nunca pensei nessa questão! Mas discordo em partes com vc. Acabou que fiz um post, meio que em resposta… se me permite, o link ta aí no meu nome.

  2. Acho um absurdo chegar em uma livraria e ter de pagar R$100,00 por um livro que poderia custar muito menos que isso.

    Não sei se no Brasil livros são caros porque ninguém lê, ou se ninguém lê porque são caros demais.

    Mas de fato, ler na tela não é um bom exercício. Algum de vocês conhece alguém que leva computador p/ o banheiro?

    Enquanto existirem seres humanos pensando e sistematizando conhecimento, existirão livros.

    Ouvir música é mais fácil e menos exigente do que ler. O ato de ler toma toda a atenção enquanto no caso da música não.

  3. Dirceu says:

    Acho que a razão pela qual o mercado editorial não é tão afetado pela web quanto a indústria musical é a diferença entre como música e literatura são consumidas e por quem são consumidas.

    Escutar música na frente do PC ou no iPod é relaxante, essencial e gostoso (exagerando só um pouco), mas ler um livro inteiro é cansativo.

    Enquanto consumir música é um ato passivo, onde você consegue ao mesmo tempo consumir todo “conteúdo” da rede, consumir um livro exige concentração.

    E concentração não é uma qualidade da maioria dos usuários de internet formada por adolescentes (15-17 anos).

    Você ainda lê jornal? Isso pode ser considerado uma mudança no mercado editorial provocado pela rede… RSSs…

  4. Esperamos estar começando:

    http://literar.org

    Novidades em breve!

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