A reforma dos blogs: orkut, publicação e livro.

Eu estou começando a perceber um desgaste do gênero blog. Assim como os protestantes perceberam um desgaste na forma da igreja católica, penso que estamos começando a viver um tempo de mudanças drásticas nos blogs. Talvez ao ponto deste próprio gênero não sobreviver: ou ainda, não ser lembrado por ter se transformado em outras coisas bem melhores, chamadas por outros nomes.

Para quem começou a blogar há muitos anos e pegou toda a onda e as discussões dos blogcamps, a polêmica da ética problogger, etc, me parece realmente que agora temos uma revolução em curso.

Blogs amadores e blogs profissionais.

Blog, na minha época, era uma maneira muito fácil e amadora (no melhor sentido do termo) de publicar artigos — vi, mas não participei da época dos blogs como diários adolescentes. Ou, de acordo com a wikipédia, “é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou “posts”. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blog”.

Nos últimos 10 anos o amadurecimento do gênero trouxe uma série de novidades. A primeira e mais radical foi a possibilidade de ganhar dinheiro com seu blog, seja como autônomo utilizando redes de anúncio e programas de afiliados (ou ainda vendendo posts), a partir de um contrato com um grande portal ou jornal, seja como prestador de serviços de conteúdo para empresas e sites de conteúdo.

Aí surgiu uma contradição clara: adequar seu conteúdo e ritmo de postagens para ganhar mais dinheiro, ou deixar de lado o potencial de renda gerada diretamente do blog e apostar na notoriedade que o conteúdo produzido pode trazer ao autor, e aproveitar a notoriedade para fazer contatos que podem gerar dinheiro. Eu fiquei neste último grupo, e funcionou.

Os blogs profissionais estão se tornando publicações.

A maioria dos bons blogs profissionais acabaram se tornando publicações, com múltiplos autores pagos, mídia kit, contratos com redes de anúncio ou portais, e mudanças significativas no próprio design, que antes era característico pela simplicidade dos posts em ordem cronológica-inversa e uma barra lateral com categorias e links para outros blogs, para designs bem mais sofisticados que se assemelham muito — quando não são ainda mais elaborados — ao design de portais, revistas e jornais.

Surgiram empresas especializadas em aproveitar a audiência para gerar receita para essas publicações, como a boo-box por exemplo. Aliás, a própria boo-box é um bom exemplo do entendimento desta mudança, ao chamar na sua comunicação corporativa os blogueiros de publishers.

Este movimento, que ainda está em curso, aproxima os blogs profissionais cada vez mais dos sites especializados de notícias e análises, permanecendo (às vezes) como característica distintiva o autor aparecendo e falando na primeira pessoa, assinando sua opinião, no lugar da “formalidade distanciada” da linguagem jornalística. Distinção bem questionável aliás… O jornal impresso Le Monde Diplomatique Brasil, por exemplo, caberia muito bem nesta classificação.

No entanto, eu acredito que no final das contas, o jornalista diz o que pensa, sem assinar, do mesmo modo que o bom blogueiro mantém um certo distanciamento ético do fato sobre o qual escreve, ainda que diga “eu acho isso” em vez de “o especialista fulano de tal diz isso”.

E os blogs “amadores” ou de especialistas não amadureceram muito.

São abundantes os exemplos de blogs que foram editados como livros. Uma vez que o autor tem conteúdo de qualidade e que tem algum valor mesmo um bom tempo depois de ter sido escrito, faz muito sentido reunir tudo (ou o melhor) e publicar.

Por um lado o conteúdo dos blogs “profissionais” se assemelham ao das publicações periódicas, em que o jornal de ontem só serve para forrar a gaiola do passarinho, ressaltando o valor da análise e da notícia das últimas novidades. Já os blogs como o do Luli, da Raquel Recuero, do Juliano Spyer são tão interessantes em postagens de anos atrás como as últimas. Não é à toa que estes autores são também autores de livros importantes nas suas áreas.

Orkut, publicação web ou… livro?

O blog como rede social adolescente já foi, virou orkut, twitter,  facebook. Os problogs viraram sites de notícias e análises mais ou menos comuns. E os blogs de especialistas ficaram parados no tempo.

Se o conteúdo que um autor escreveu no seu site há anos atrás é tão interessante quanto o de hoje, me parece claro que a ênfase na ordem cronológica-inversa característica do blog não é o melhor para o usuário. Ela esconde o bom conteúdo antigo, que pode até ser bem melhor que o novo.

Por isso, um pouco encorajado pela reforma do luli, um pouco pela minha falta de estímulo para atualizar este blog, quero contribuir com esta discussão e espero que isso gere também uma reforminha por aqui, que deve trazer um novo ânimo ao movimento.

O livro, como o conhecemos, obviamente não é a resposta à evolução necessária do gênero blog para autores deste tipo… Aliás, ainda não encontrei um nome adequado, tanto “amador” quanto “especialista” me parece um pouco ridículo. Óbvio: o nome vem do gênero, e estamos falando de um gênero que está começando a ser inventado.

Entre as coisas mais interessantes que podem surgir neste novo gênero está o “Para entender a internet”, coordenado pelo Juliano Spyer… uma experiência colaborativa, de conteúdo que deve ser relevante por um bom tempo, e que está em constante atualização. 10 no conteúdo… Já a forma, um blog, chegou ao ponto de desgaste tão grande, que o blogger entendeu o livro como SPAM e tirou o site do ar. Precisamos desenvolver outra forma.

Neste momento, no entanto, só tenho perguntas:

  • Como engajar o leitor numa experiência de imersão como o livro é capaz de fazer, mantendo as características dinâmicas, fluidas, de atualização e diálogo constante da web?
  • Como levar o leitor a conteúdos antigos de seu interesse, conectando um conteúdo ao outro de forma coerente, mas ultrapassando a linearidade (chata?) do livro e a fragmentação das coletâneas?
  • Como facilitar conversações entre autores de “blogs” diferentes a respeito de assuntos e conteúdos que podem ter escrito em qualquer época e pode ser acompanhada pelo leitor, criando uma hiper-narrativa transversal entre os sites e autores?
  • Como manter a característica de conversação de cada post, mantendo cada leitor que fez um comentário interessado e engajado, mesmo muito tempo depois de ter feito seu comentário?
  • Aliás, será que o post deve continuar sendo o objeto central? Ou podem surgir outros objetos, como tags, temas, assuntos, em torno dos quais o diálogo aconteça?

Enfim, este post já está tão grande que é obsceno para o gênero blog e eu já acho que ninguém vai ler, paro por aqui. Há muitas outras perguntas… e eu espero começar a ver — e compartilhar aqui — logo logo algumas tentativas de respostas.

Por gilbertojr, dia 1/06/10.
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A contradição entre interface simples e aparelhos poderosos

Marco Gomes fez uma provocação interessante no seu blog: “Interfaces de objetos modernos são mais complicadas? Estamos ficando mais estúpidos pra projetar as interfaces do dia-a-dia?”

Eu acredito que em alguns dos casos que ele analisou há o erro de comparar coisas diferentes como se fossem iguais. Comparar o telefone de disco com o iPhone é complicado, já que o iPhone é um computador de tamanho reduzido, que entre seus aplicativos tem um telefone. Aí podemos observar o contrário, comparando o iPhone com um computador de antigamente: eu não preciso desligar ou reiniciar quase nunca, ele cabe no meu bolso etc.

Eu acredito que a verdadeira questão seja como lidar com a contradição entre a necessidade de uma interface simples e o aumento do “poder” dos aparelhos. Obviamente eu não tenho resposta nenhuma, mas, assim como o Marco, mais problematização:

Antes do iPhone eu usava um Motofone F3 (veja aqui meu artigo sobre sua interface). Ele sim, tem uma interface tão simples quanto a de um telefone de disco. Basta digitar o número que você quer e apertar o botão verde. Na verdade, é ainda mais fácil, ele tem 9 posições na agenda relacionadas às nove teclas, basta segurar o botão 1 e ele já liga para aquela pessoa. Não é à toa que ele é apelidado de moto-vô, já que sua simplicidade deu acesso ao celular a pessoas de terceira idade que não enxergavam nem conseguiam usar outros modelos.

Acredito que as questões fundamentais sejam de mercado, não de burrice do designer. Sempre que eu vejo um design muito ruim feito por uma agência/estudio/profissional bom eu penso: ele deve ter tido meia hora para fazer isso, e com alguém gritando atrás dele.

O consumidor não pode usar dois ou três aparelhos, falar neles, entrar dados em sua agenda, etc, para comparar antes de comprar. Por isso, sua decisão de compra é baseada na tabela de features. Logo, quanto mais funcionalidades pelo preço mais baixo com um visual bacana, melhor o aparelho. Aí o que acontece é que, na ânsia de entuchar funcionalidades no treco, todas desenvolvidas pelo próprio fabricante, precisando lançar novidades (da moda) rapidamente, e a um preço baixo, o cuidado com a usabilidade vai pro beleléu. Isso sem falar da Obsolescência Programada – eu nem quero imaginar como é estar na pele de um designer que tem que projetar um produto para que ele não dure muito, para que ele se quebre em no máximo 2 anos.

Sobre o exemplo do DVD/Blue Ray, a questão ainda é de mercado. O monopólio dos padrões industriais por um punhado de mega empresas lhes dá um poder tão grande que não há nada que o consumidor possa fazer. Ao contrário da internet, uma plataforma aberta onde qualquer um pode fazer algo mais user-centric que você e ganhar por causa disso, nestes mercados fechados todos os players podem fazer aquilo que quiserem, não há interesse em tornar a vida do consumidor melhor porque ele não tem opção além de comprar um aparelho com aquele padrão.

A usabilidade está sempre em contradição com o poder do aparelho. Ambas fluem em um movimento contínuo onde cada parte avança sobre a outra. Quanto maior a quantidade de funcionalidades (poder), mais trabalho o designer terá para adequá-las de modo que a interface seja simples. É comum ver saltos de qualidade, como os computadores com interface gráfica e mouse no lugar dos comandos, uma vez que seu sistema se tornou poderoso o suficiente para sustentar tal façanha.

Por gilbertojr, dia 18/02/10.
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Avon nas redes sociais, do porta-a-porta para o Social Beauty

Não tenho dúvida de que a Avon é uma das marcas do mundo que mais entende de redes sociais. Começou com vendas porta-a-porta, mas logo chegou a um sistema de vendas diretas no qual as “Avon ladies” vendem produtos para suas amigas. No entanto, desde 1886 quando a empresa foi fundada, o mundo mudou muito.

A avon sabe que hoje entre as mulheres jovens a melhor maneira de falar com as amigas é através das redes sociais e resolveu facilitar isso criando o conceito Social Beauty. A idéia é criar aplicativos sociais como catálogo no iphone, mini-ecommerce personalizado pelo usuário, fan page no facebook entre outros para incentivar e facilitar a venda de produtos entre amigas. É a estratégia principal da irmã mais nova da marca Avon, a Mark, voltada para jovens, que pretende gastar 50 milhões de dólares em mídias sociais nos próximos anos, segundo o site Happi.com.

Nós na amanaiê temos tido uma boa experiência neste sentido, desde o final de 2008, com o aplicativo MinhaLoja, que criamos para o PagSeguro. A princípio o conceito era de um marketplace simples, no qual um usuário pode instalar o aplicativo no seu perfil no orkut e vender qualquer coisa para seus amigos, que podem comprar usando o PagSeguro. Após um período de testes, quando inserimos uma nuvem de tags no aplicativo, percebemos que entre as tags mais utilizadas só há duas marcas: avon e natura.

Engajar usuários para serem evangelizadores de uma marca, ou seja, dizer aos amigos que gostam de um produto é uma coisa; outra bem diferente e muito mais difícil é fazer os consumidores serem vendedores dos seus produtos. Esta é uma oportunidade que vai muito além do mercado dos cosméticos. O Buscapé, por exemplo, criou toda uma plataforma com uma API aberta para desenvolvedores criarem aplicativos com o conteúdo do site. O aplicativo do serviço no iPhone, por exemplo, foi criado por um desenvolvedor independente.

Utilizar aplicativos sociais e mobile para engajar o usuário e incentivá-lo a se tornar um fã, evangelizador e até vendedor da sua marca e dos seus produtos é uma tendência forte para os próximos anos, um movimento de mercado que está só começando e por isso mesmo ainda reserva oportunidades incríveis.

Por Gilberto Jr, dia 4/01/10.
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O papel dos aplicativos nesta revolução na propaganda

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Eu estava conversando ontem com Ruy Lindenberg sobre como estão errados aqueles que dizem que uma mídia deve matar a outra – radio, cinema, tv, internet etc. cada mídia aparece na nossa vida como complementar às anteriores. A propaganda, como sempre, continua mudando junto com as mídias e com a sociedade. E as grandes mudanças geralmente não acontecem lentamente, mas em saltos ou revoluções.

Eu penso que não são exatamente as novas mídias que provocam revoluções no modo de fazer e pensar a propaganda, mas as novas linguagens que estas mídias trazem consigo.

Este anúncio genial (acima), dirigido pelo Ruy para a AE Investimentos ilustra muito bem o que quero dizer. Ele bebe da linguagem criada pelos surrealistas e brinca com ela. A propaganda impressa tem uma fonte de inspiração para tocar a alma humana que remete ao tempo das cavernas. A propaganda na TV já tem muito menos referências, só a partir do cinema é que nós começamos a pensar e criar imagens em movimento.

A internet é um advento impressionante porque é e não é realmente novo. A diferença de linguagem e estética entre um jornal e o site de um jornal pode ser quase nenhuma, uma propaganda em vídeo na TV ou no Youtube têm o mesmo impacto em quem as vê – aqui não há quase nada de novo.

A verdadeira novidade que a internet (aqui entendida como um dispositivo eletrônico qualquer ligado à rede) trouxe e que só ela é capaz de entregar é o aplicativo social. Gmail, Wordpress, Facebook, Twitter, Google docs, milhares de aplicativos iPhone ou Android, essas são coisas que a humanidade nunca viu antes. São coisas tão novas que nem os artistas descobriram ainda. Pela primeira vez a arte contemporânea brinca com uma linguagem depois que a propaganda já a explorou bastante – aí vemos o mundo da produção simbólica de cabeça pra baixo (ou de cabeça pra cima?), é uma verdadeira revolução.

Da mesma maneira que os criativos das outras linguagens (que continuam sendo o que há de mais relevante no consumo da sociedade) sonham em criar aquela frase, aquele filme, jingle, aquela imagem que vai ficar na história da propaganda, quem trabalha com publicidade digital pode pensar nestes mesmos termos, mas também pode pensar em criar a funcionalidade que vai ficar na história.

Como Ruy disse, em um artigo para o livro Do Broadcast ao Socialcast, organizado por Manoel Fernandes:

Eu não morro de amores pela tecnologia, mas morro de curiosidade em entender como ela vai influenciar as nossas vidas nesta revolução agora chefiada pela web. Nunca existiu momento mais rico e interessante para se trabalhar em propaganda do que este. [...] De qualquer forma, acho que só dados e tecnologia não vão resolver a equação. É preciso um olho no gato e outro no rato. Por um lado observar a tecnologia com muita atenção, por outro, tentar enxergar as profundezas da alma humana, pois é de lá que surgem as verdadeiras revoluções.

Como você se sentiu na primeira vez que viu um quadro do Dali ou do Magritte, ou quando conheceu sua branda preferida? E na primeira vez que fez a barra de rolagem se mexer com os seus dedos em um iPhone ou achou exatamente o que queria logo de cara no Google? Você acha que as funcionalidades do software são capazes de tocar a alma humana tanto quanto as cores dos quadros, a melodia das músicas, as palavras nos poemas?

Levou milhares de anos até a humanidade produzir um Mozart. Levará quanto tempo até aparecer um verdadeiro gênio na linguagem dos aplicativos?

As pessoas no mundo inteiro têm gasto cada vez mais horas por dia com aplicativos na internet, a propaganda está só começando a se apropriar desta nova linguagem e me empolga demais fazer parte desta revolução.

Por gilbertojr, dia 27/11/09.
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Facebook Lite: menos e mais é mais

facebook platformO Michel Lent comentou no viuisso, sobre o Facebook Lite: “menos é menos“. Eu concordo com ele. Como eu disse no post anterior, uma interface com menos opções pode fazer um produto ter mais valor para o usuário mesmo tendo menos funcionalidades que um produto similar com uma interface mais complexa.

No entanto, nem sempre uma opção exclui a outra. O que o Facebook está fazendo com o Lite é o melhor dos mundos. De um lado o facebook completo, com muitos milhares de aplicativos sociais que geram mais valor para o usuário, sendo cada um deles novas funcionalidades para a rede e para interagir com seus amigos; de outro lado, o lite, para os momentos em que tudo que o usuário quer é dar uma olhada no que está acontecendo ou fazer um post rápido.

Falando de design, menos é mais. Sim. É preciso entender o que menos e o que mais. Menos funcionalidades é mais facilidade de uso. Mas é também menos valor de uso. Se o valor que o usuário dá para as funcionalidades básicas de um produto é muito maior que às funcionalidades “periféricas” ou complementares, a interface melhorada pela exclusão destas funcionalidades adicionais aumentará o valor total do produto acima do valor que ele tem com estas últimas.

No entanto, não estamos falando de um produto físico, com botões de plástico, mas de interfaces digitais e software. Estamos falando de um tipo de produto que pode mudar completamente suas características com um clique. Neste cenário, considerando uma análise séria de retorno sobre o investimento, é possível ter o melhor dos dois mundos: menos e mais. Um modo básico do produto, com uma interface limpinha, e outro modo completo, com mais funcionalidades. Aí pode-se acompanhar as métricas para ver o que, de fato, tem mais valor para o usuário.

O Michel disse:

“Se eu não estivesse viciado em FarmVille e Texas HoldEm Poker, certamente adotaria, mas preciso voltar para a outra versão para poder jogar”.

A Raquel Recuero, ao fazer alguns apontamentos sobre orkut x facebook no Brasil dá bastante crédito aos aplicativos como um dos fatores que fizeram do Facebook o fenômeno mundial que ele é:

“O Facebook não é hoje do tamanho que é por nada. Foi absolutamente inovador quando permitiu que os próprios usuários criassem aplicativos para rodar na plataforma. Com isso, criou uma massa especializada de usuários que inova constantemente os aplicativos, com novos jogos, mashups, ferramentas interessantes e etc. Isso agrega muito valor ao sistema do FB. Hoje, por exemplo, existem várias empresas que são baseadas em desenvolvimento de aplicativos para o Facebook. Com isso, gerou-se um motor de desenvolvimento interno: conforme os aplicativos geram interesse na ferramenta, mais usuários entram no FB por causa deles, mais o FB fica valorizado pelo número de usuários, mais estímulo têm os desenvolvedores para melhorar e desenvolver mais aplicativos inovadores que, por sua vez, vão gerar mais usuários e por aí vai.”

Será muito interessante ver os resultados do facebook lite em comparação com o padrão, com o tempo e o impacto disso na concorrência com o Twitter.

(este artigo é continuidade deste: Facebook lança versão Lite, copiando o twitter. Copiar é feio?)

Update, 15h: não poderia deixar de citar que o Facebook anunciou hoje que está no azul, ou seja, entra todo mês no mínimo a mesma quantidade de dinheiro que sai do bolso, e que já passou de 300 milhões de usuários, segundo a reuters.

Por gilbertojr, dia 16/09/09.
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Facebook lança versão Lite, copiando o twitter. Copiar é feio?

Picture 2Facebook lançou uma nova versão, Lite, magrinha, limpinha, com menos… coisas. Algumas lições são mais ou menos óbvias aí, mas não podem deixar de ser mencionadas:

  • interface com menos tralha é mais gostosa de usar;
  • menos funcionalidades não significa menor valor para o usuário;
  • micro-comunicação e micro-publicação tem mais apelo porque gasta-se muito menos energia pra escrever o título deste post (que é o que eu tuitaria) do que o post inteiro;
  • no final das contas o tempo e a energia gastos com uma quantidade bem maior de micro-posts é maior que aquele um post por dia que os velhos blogueiros faziam.

Mas o que mais me surpreende é uma cultura de recriminação à cópia que vejo por aí. Depois de tentar comprá-lo, o Facebook está copiando o twitter, claramente. O New York Times publicou um artigão comparando os dois e discorrendo longamente sobre isso.

Se você é um fabricante de refrigerante e seu concorrente descobre uma forma diferente de fechar a garrafa, que faz o gás não escapar (e não puder ou tentar patentear a descoberta), não é nada feio ou desonroso copiar. Pelo contrário, em casos assim é obrigação, pois seu produto vai melhorar a um custo zero de pesquisa e inovação.

Se você puder, saia na frente. Mas se seu concorrente já saiu e está fazendo tudo melhor que você, você precisa chegar até ele e então superá-lo. É claro que, se em vez de concorrer você puder parecer estar fazendo outra coisa que também tem valor ou tem ainda mais valor para os usuários, melhor ainda, mas se não for o caso, a cópia é mais do que legítima, é necessária. É assim que toda a indústria vem progredindo.

Nem sempre, no entanto, sair na frente é a melhor opção. O google não foi o primeiro buscador, a Microsoft também não foi a primeira a fazer a maioria das coisas que a fez o gigante que é. Deixar os outros fazerem as descobertas, desbravarem o mercado e então vir com um grande poder de fogo (de capital) copiando e inovando em cima, é uma estratégia bem básica.

O próprio fundador do Twitter, Biz Stone, diz ao NYT que não liga para o fato do Facebook copiá-lo, muito pelo contrário:

“Twitter continua a reduzir a fricção entre muitos serviços. Nossos serviços são complementares a mobile networks, social networks, search engines, software platforms, television networks, e talvez outras áreas que nós nem pensamos ainda.”

Claro, minhas mãos de designer doem ao escrever este artigo, é lindo inventar e inovar. Mas esta postura de que a cópia é feia só existe em uma sociedade que tem a competição por princípio. Se o paradigma fosse outro, o da colaboração – como é por exemplo em artes coletivas como o teatro –  eu poderia mostrar a você a novidade que inventei e adoraria ver você me copiando e fazendo algo novo a partir do que eu inventei. Toda a inovação do movimento OpenSource vem daí. Será divertido ver os resultados desta experiência do Facebook.

Copiar não é feio, deixar de inovar é.

Por gilbertojr, dia 14/09/09.
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Viva cada dia (de um projeto) como se fosse o último

O famoso discurso de Steve Jobs para formandos de Stanford tem um enorme clichê que, como todo clichê, é indispensável: “viva cada dia como se fosse o último”. Na vida de um projeto isso não é diferente. A correria e a urgência comum nos últimos dias antes da entrega reflete diretamente a maneira como lidamos com ele desde o primeiro dia.

Isso é ainda mais verdade quando é um projeto envolvendo software, e ainda mais quando é software para publicidade, como fazemos na amanaiê. Em software, diferentemente de design (e eu sei disso porque tenho sido designer gráfico a vida toda) não existe mágica.

Não há vigor ou explosão criativa, nem nenhum truque que possa recuperar um cronograma atrasado. Um prazo mais apertado em design significa menos tempo para pesquisar e tornar a peça mais elaborada. Um prazo mais apertado em software significa funcionalidades a menos, ou pior, bugs a mais, e não há argumento que faça um cliente aprovar ou ficar contente com um software mal feito.

O senso de urgência de um projeto tem que ser determinado desde o primeiro dia, e combinado com a equipe de produção e com o cliente. Um dia a mais esperando uma aprovação significará uma madrugada de trabalho dos desenvolvedores, jornadas de trabalho com mais horas do que uma pessoa deveria trabalhar e conseqüentemente, um trabalho ruim.

O controle de qualidade, última etapa da modo tradicional de desenvolvimento de produtos, tem que ser rigoroso em cada etapa e cada dia do projeto. Em software, isso pode ser conseguido de várias maneiras, como por exemplo, usando técnicas de test driven development e envolvendo uma equipe de QA junto com os desenvolvedores durante o projeto inteiro. Um bom profissional de testes vale por dois desenvolvedores, na medida em que ele torna o trabalho de cada desenvolvedor muito mais produtivo e focado naquilo que eles fazem melhor.

Todo gerente de projetos sabe que o impacto de um pequeno atraso no início do projeto pode ser desastroso no final. Principalmente porque o custo de mudanças no inicio do projeto é bem menor do que no final. Mas nem sempre a equipe e o atendimento estão alinhados em relação a isso. A melhor forma de desenvolver software é revendo o planejamento a cada pequena etapa, como se faz com o planejamento de sprints no método scrum, mas nem sempre isso é possível.

O interesse do cliente é saber com certeza quanto vai pagar por exatamente qual escopo de produto e quando tudo será entregue. Ele precisa saber tudo isso antes do primeiro dia de desenvolvimento para poder decidir se o investimento faz ou não sentido. Do outro lado, nunca se pode prever com certeza os percalços comuns no desenvolvimento de software, nem o cliente está interessado em entender isso.

Por isso, o planejamento, o senso de urgência, o ritmo de trabalho, análises de risco, gestão de recursos, enfim, todas as etapas do projeto devem ser imbuídas de um sentimento comum de que hoje tudo tem que ser realizado perfeitamente e no tempo certo para que cada dia seja agradável para todas as partes, inclusive o último, que deve ser um dia de celebração do lançamento do projeto, não de tortura.

Por gilbertojr, dia 9/09/09.
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